FREQUÊNCIA DE MARCADORES SOROLÓGICOS DE DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS POR TRANSFUSÃO COMO MOTIVO DE REJEIÇÃO DE BOLSAS EM UMA UNIDADE HEMOTERÁPICA PRIVADA

Luciano César Santos, Eliane Pereira Menezes, Josilene Souza

Resumo


Este trabalho determinou a prevalência de rejeição sorológica de bolsas de sangue de em uma unidade hemoterápica na cidade de Salvador (BA) e região metropolitana. Foram determinadas as prevalências de descartes de bolsas por sorologia positiva e a caracterização soroepidemiológica dos descartes no período entre 2013 a 2015.  Neste período, foram realizadas 53010 doações, cujo perfil demográfico foi de indivíduos do sexo masculino (68,3%), com idade acima de 30 anos (mediana 36 anos) e tendo como reposição de estoque a principal motivação da doação (84,6%). Foram avaliados marcadores sorológicos para doenças transmitidas por transfusão (DTT): Hepatite B e C, doença de Chagas, HIV, HTLV I/II e Sífilis, dentre estes a prevalência de soropositividade para hepatite B (anti-HBc - 38,7%) e doença de Chagas (39%) foram responsáveis pelo descarte de bolsas de sangue. A taxa de descarte foi de 0,8% para os dois marcadores evidenciados. O presente trabalho demostra um fragmento do perfil sorológico de DTT da população de Salvador (BA) e RMS, devido características peculiares da amostra representativa de uma unidade hemoterápica particular conveniada ao SUS. Atualmente, a ANVISA recomenda que a taxa de inaptidão sorológica seja inferior a 8,3%. Os resultados de inaptidão sorológica obtidos no presente estudo encontram-se com valores abaixo dos parâmetros nacionais, sendo de extrema importância que esses valores sejam mantidos.


Palavras-chave


Bancos de Sangue; Doenças Transmissíveis; Epidemiologia.

Texto completo:

91-103

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