Variação do teor de óleo floral de Malpighiaceae em ninhos de abelhas solitárias e sua atuação como inibidor de atividade microbiana.

jose waldson capinan, maise silva santos

Resumo


Algumas famílias de plantas apresentam a particularidade de oferecer óleo como atrativo floral, que pode ser coletado por grupos particulares de abelhas (Alves-dos-Santos et al., 2007). Flores produtoras de óleo ocorrem em oito famílias de plantas: Iridaceae, Orchidaceae, Curcubitaceae,Primulaceae, Krameriaceae, Malpighiaceae, Scrophulariaceae e Solanaceae (p. ex. Vogel&Cocucci, 1995).

Os óleos florais são substâncias químicas contendo ácidos graxos livres, monoglicerídeos, diglicerídos e triglicerídeos e são produzidos por estruturas florais denominadas elaióforos (Simpson e Neff, 1981; Buchmann, 1987).

As abelhas coletoras de óleo (Centridini, por exemplo) utilizam esta substânciana construção de ninhos, no revestimento interno das células de cria, e como material para fechamento daparte externa da entrada do ninho (Alves-dos-Santos et al, 2007). O óleo floral também é misturado ao pólen e depositado nas células de cria para servir de alimento à larva (Simpson &Neff, 1981).Os visitantes florais que compõem a guilda de coletores de óleos são exclusivamente abelhas solitárias: Macropudini, Redivivini (Melittidae), Ctenoplactini, Centridini, Tapinostapidini e Tetrapedini (Apidae) (Moure, 2007; Simpson &Neff, 1981).

Estudos indicam que o óleo floral quando utilizado na construção de ninhos pelas abelhas fêmeas, confere impermeabilidade à água (ou hidrofobia) e proteção antimicrobiana (Simpson e Neff, 1981;Buchmann, 1987). estas são solitárias e utilizam diversos tipos de substrato para nidificar como areia, solo argiloso e cavidades preexistentes como orifícios em substrato vegetal (madeira).

O hábito de utilizar cavidade, observado em algumas espécies de fêmeas de Centridini, permite a coleta de dados com a utilização da técnica de captura em ninhos armadilhas. Esta técnica tem sido muito utilizada para obter informações sobre taxa de parasitismo, tempo de forrageamento das fêmeas para aprovisionamento dos ninhos e taxas de sobrevivência (p. ex. Garófalo, 2000; Aguiar & GARÓFALO, 2004)

até o momento não existem registros de trabalhos sobre ação do óleo floral sobre o crescimento de fungos associados aos ninhos de abelhas Centridini e poucos trabalhos sobre a quantidade do do óleo em flores de Byrsonima (Ramalho & Silva, 2002; Lua et al 2012) e apenas um registro sobre a quantificação do óleo que uma fêmea adiciona à massa polínica armazenada no ninho .

Este trabalho teve como objetivo avaliar a quantidade de óleo em flores de Byrsonimasericea(Malpighiaceae) e fazer teste preliminar sobre a ação deste óleo (extrato bruto) sobre o crescimento de fungos.Esta abordagem considera que a adição do óleo floralde Byrsonimaao alimento larval deve inibir o crescimento de fungos associados ao pólen. Logo, as abelhas fêmeas devem utilizar o ácido graxofloral na impermeabilização do ninho e na prevenção de proliferação de fungos no interior das células de cria.


Texto completo:

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Referências


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